Estancia Cristina, Hotel na Patagonia Argentina, Glaciar Upsala

Estancia Cristina, hotel autêntico na Patagônia Argentina

Estancia Cristina, na Patagônia Argentina, um hotel único e autêntico para visitar uma vez na vida.

Quando surge a oportunidade de uma viagem, gosto de pesquisar sobre o local para me inteirar sobre sua história, cultura, gastronomia e atrações. Digo que viajo três vezes: no planejamento, durante a viagem e organizando as fotos dos momentos registrados.

No entanto, quando recebi o convite da Roberta Leroy para explorar a Patagônia Argentina, eu estava correndo com uma programação de viagens intensa e o planejamento de minha mudança para a Ásia. Fiquei fascinada com o roteiro proposto, mas, confesso, não tive tempo de fazer sequer uma rápida busca no Google.

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Moldura para a paisagem da Patagônia Argentina na Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Moldura para a paisagem da Patagônia Argentina na Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage

E esta foi a minha maior sorte. Sem noção do que encontraria pela frente, além de conhecer o Glaciar Perito Moreno e Ushuaia, a cidade do fim do mundo, as descobertas ao longo dos dias foram tão surpreendentes, que me marcaram fundo na alma.

Chegamos em El Calafate às três da tarde num voo com escala curta em Buenos Aires. Da janela da aeronave vislumbrei a água verde-leitosa do rio escorrendo entre as terras áridas das estepes argentinas em direção ao Lago Argentino. Primeira cena patagônica registrada na memória.

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A cor verde leitosa do rio em El Calafate na Patagônia Argentina ocorre em virtude da fricção entre gelo e rocha. Foto: Adriana Lage
A cor verde leitosa do rio em El Calafate na Patagônia Argentina ocorre em virtude da fricção entre gelo e rocha. Foto: Adriana Lage

Passamos dois dias nos envolvendo com o espírito patagônico no Hotel Eolo, experiência única que contei no artigo Eolo Patagônia, hotel boutique dos sonhos. A passagem por El Calafate é essencial para conhecer o vilarejo e o Glaciar Perito Moreno.

Hora de seguir para a segunda etapa da viagem.

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Cruzeiro pelo Lago Argentino, rumo ao Glaciar Upsala

Logo cedo, o carro da Estancia Cristina, nosso próximo hotel-destino, pontualmente nos aguarda para o transfer até o Porto Punta Bandera, na margem do Lago Argentino. O sol ainda se esconde atrás das nuvens e o vento gelado da primavera indica que é melhor me acomodar nas poltronas dentro do barco. Duas embarcações modernas de propriedade da Estancia nos aguardam e somos as últimas a chegar.

Amanhecer no Porto Punta Banderas para embarcar rumo à Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Amanhecer no Porto Punta Bandera para embarcar rumo à Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage

As três horas de navegação voam enquanto subimos o Canal Upsala. Me distraio maravilhada com o tamanho titânico dos icebergs flutuando que se desprenderam das geleiras e seguem a correnteza até o Lago Argentino.

Encaro o frio, intercalando meu tempo na popa do barco entre fotografar e apreciar o cenário que se descortina. As montanhas andinas cobertas de neve no topo quebram a linha do horizonte e o céu azul parece decorado com nuvens em formações atípicas para o clima tropical brasileiro.

A natureza esbanjando sua fartura de texturas, formatos e cores. O sol aprece e revela a cor verde peculiar de lagos glaciares. Estou fascinada.

Icebergs, nuvens lenticulares, lago glacial e Cordilheira dos Andes. Cenário perfeito na Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage
Icebergs, nuvens lenticulares, lago glacial e Cordilheira dos Andes. Cenário perfeito na Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage
Na Patagonia Argentina , nem o vento gelado tirou a coragem para a foto na popa do barco. Foto: Adriana Lage
Nem o vento gelado tirou a coragem para a foto na popa do barco. Foto: Adriana Lage

Glaciar Upsala, uma das maiores geleiras da América Latina

O barco enfim reduz a velocidade e a guia da Estancia Cristina aponta o Glaciar Upsala ao fundo. Ela avisa que esta é o ponto de aproximação máximo dele por questões de segurança. Difícil mensurar a imensidão desta que já foi a maior geleira latino-americana. Em virtude do seu derretimento acelerado, caiu para a terceira posição e nem por isso deixa de ser grandiosa.

Glaciar Upsala visto do barco da Estancia Cristina na Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage
Glaciar Upsala visto do barco da Estancia Cristina na Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage

A guia relata fatos e importância de Upsala mas boa parte das pessoas a bordo estão admirando e fotografando o mundo de gelo. Ela explica que geleira significa gelo em movimento e que Upsala é três vezes maior que Perito Moreno, mas está perdendo 200m de sua área ao ano. Não é surpreendente descobrir que entre 100 e 200m de profundidade no glaciar, encontram-se fósseis de 200 milhões de anos.

Viaje mais: Glaciar Upsala: 6 motivos para ir agora

Close up do Glaciar Upsala, uma das maiores geleiras da América Latina. Foto: Adriana Lage
Close up do Glaciar Upsala, uma das maiores geleiras da América Latina. Foto: Adriana Lage

Chegada à Estancia Cristina

Outra meia hora de cruzeiro, o barco converge para um vale e aporta num singelo pier. No pé das altas montanhas, as cabanas da Estancia Cristina parecem casinhas de boneca ao longe, abrigadas dentro do Parque Nacional Los Glaciares. Silêncio, vastidão, serenidade, um encontro com a natureza. Ao lado da placa de boas-vindas do lodge, três funcionários nos recebem sorridentes.

Um dos passeios mais agradáveis que me lembrarei na Patagônia Argentina é passear na margem do Lago Cristina. Foto: Adriana Lage
Um dos passeios mais agradáveis que me lembrarei na Patagônia Argentina é passear na margem do Lago Cristina onde fica o píer. Foto: Adriana Lage

Seguimos de carro até a casa principal, o Octógono, para o check-in informal e suco natural de abacaxi como welcome drink para mim. Ansiosa para colocar os pés para cima, peço para conhecer o quarto.

Clima de fazenda nas construções da Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Clima de fazenda nas construções da Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Suco de abacaxi caseiro e natural, minha opção para welcome drink. Foto: Adriana Lage
Suco de abacaxi caseiro e natural, minha opção para welcome drink. Foto: Adriana Lage
Alamos, árvores típicas da flora patagônica. Foto: Adriana Lage
Alamos, árvores típicas da flora patagônica. Foto: Adriana Lage

A suíte para se embeber do cenário patagônico

A Estancia Cristina tem cinco cabanas com quatro suítes em cada um deles. A nossa se chama Estepa, em homenagem à maior ecorregião da patagônia. A charmosa varanda típica de fazenda tem janelas e portas envidraçadas que refletem a paisagem como num quadro e convida para apreciar a natureza no fim da tarde. Magia pura. Será meu programa hoje.

Um dos cinco bangalôs da Estancia Cristina, hotel onde o luxo está na simplicidade. Foto: Adriana Lage
Um dos cinco bangalôs da Estancia Cristina, hotel onde o luxo está na simplicidade. Foto: Adriana Lage
A Patagônia Argentina refletida na janela do bangalô no hotel Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
A Patagônia Argentina refletida na janela do bangalô na Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage

Entramos pela sala de estar comunitária onde móveis rústicos em tons pastéis integram-se harmoniosamente com o entorno. Em cada lateral, uma porta leva a duas suítes de 31,5m2 cada uma. Ambiente acolhedor, um aroma delicioso no ar, me sinto na casa de fazenda de minha avó.

Ampla, a suíte ganha mais luz com a bay-window. Estancia Cristina, Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage
Ampla, a suíte ganha mais luz com a bay-window. Estancia Cristina, Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage

A grande janela bay-window me hipnotiza no primeiro segundo e meus olhos não acreditam na estonteante vista que se abre para o vale e os picos nevados ao fundo. Me aninho na poltrona de tecido xadrez e me permito momentos de contemplação. Uma experiência multissensorial singular.

Guardo na lembrança este momento de contemplação da paisagem patagônica. Foto: Adriana Lage
Guardo na lembrança este momento de contemplação da paisagem patagônica. Foto: Adriana Lage

Não sei quanto tempo se passou e não importa. Entendi que neste lugar o relógio é desnecessário. Volto meu olhar para o interior e noto os detalhes da suíte. O criado mudo antigo na cor verde apoiando o diminuto abajur, a colcha de lã tecida artesanalmente cobrindo o pé da cama e o grande espelho adornando a parede. Elementos verdadeiramente patagônicos.

Galeria de Fotos da Cabana

Parece um quadro o reflexo da paisagem na porta do bangalô da Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Parece um quadro o reflexo da paisagem na porta do bangalô da Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Detalhes da decoração nos bangalôs da Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Detalhes da decoração nos bangalôs da Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Chá, café e uma cadeira na varanda. Tudo o que precisamos num hotel na Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage
Chá, café e uma cadeira na varanda. Tudo o que precisamos num hotel na Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage
Tons pasteis e decoração rústica na sala de estar dos bangalôs na Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Tons pasteis e decoração rústica na sala de estar dos bangalôs na Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Decoração simples e aconchegante na Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Decoração simples e aconchegante na Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Criado-mudo de fazenda integra a decoração nos quartos da Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Criado-mudo de fazenda integra a decoração nos quartos da Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Quarto amplo e aconchegante, no clima de fazenda na Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Quarto amplo e aconchegante, no clima de fazenda na Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Na cama, vendo os raios do sol tingindo o pico das montanhas nevadas ao amanhecer na Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage
Na cama, vendo os raios do sol tingindo o pico das montanhas nevadas ao amanhecer na Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage

No banheiro, a bancada verde combina com o criado mudo do quarto. Toalhas brancas acondicionadas em cestas quadradas de vime, amenidades personalizadas da Estancia e uma banheira clássica para relaxar após o dia de atividades.

Tudo muito simples e agradável. Penso que numa região tão isolada e imersa na natureza, é exatamente isso o que as pessoas buscam: singeleza, conforto e tranquilidade para se reconectar consigo mesmas e com a beleza imponente da região.

Amenities de marca própria no hotel. Foto: Adriana Lage
Amenities de marca própria no hotel. Foto: Adriana Lage
Móveis do banheiro lembram uma fazenda e a cor combina com o criado-mudo do quarto. Foto: Adriana Lage
Móveis do banheiro lembram uma fazenda e a cor combina com o criado-mudo do quarto. Foto: Adriana Lage

Gastronomia patagônica em pratos gourmet

As refeições são servidas no Octógono, o coração da Estancia Cristina. É aqui o ponto de encontro de hóspedes e guias e onde as atividades acontecem. A lareira no centro do salão traz o aconchego para os visitantes se reunirem, lerem um bom livro, degustarem um chá quente ou um bom vinho. Este é o único lugar com acesso à internet, mas para entrar no clima, decidi decretar férias das redes sociais. A melhor oportunidade para um detox tecnológico.

O Octógono, ponto central do hotel para refeições e momentos de lazer em conjunto. Foto: Adriana Lage
O Octógono, ponto central do hotel para refeições e momentos de lazer em conjunto. Foto: Adriana Lage
Aconchegante, o ambiente do Octógono convida ao relaxamento e à boa prosa. Foto: Adriana Lage
Aconchegante, o ambiente do Octógono convida ao relaxamento e à boa prosa. Foto: Adriana Lage

Inspirado na culinária regional patagônica, o menu autoral sazonal combina sabores de ingredientes frescos e selecionados, muitos produzidos na própria fazenda, e apresentação cuidadosa. Pães caseiros fresquinhos, empanadas, batatas andinas, ojo de bife e doce de leite são os clássicos argentinos presentes no cardápio.

Pães caseiros frescos no café da manhã do hotel, servido no Octógono. Foto: Adriana Lage
Pães caseiros frescos no café da manhã do hotel, servido no Octógono. Foto: Adriana Lage

Destaque para o Cordero al Asado e salmão ao molho balsâmico reduzido e cebolas assadas. As sobremesas panqueca de cacau com doce de leite e pralinés e a torta úmida de chocolate com sorbet de frutas vermelhas justificam quebrar qualquer dieta.

Queijo e presunto de parma, combinação que eu adoro como entrada no restaurante da Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Queijo e presunto de parma, combinação que eu adoro como entrada no restaurante da Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Cordero al Asado, o mais tradicional dos pratos da culinária patagônica argentina. Foto: Estancia Cristina
Cordero al Asado, o mais tradicional dos pratos da culinária patagônica argentina. Foto: Estancia Cristina

A carta de vinhos lista rótulos nacionais de diferentes regiões da Argentina e são ótimos para saborear em conjunto com uma tábua de queijos ao entardecer. O sol demora a se esconder na primavera, por volta de nove da noite. Então, escolha uma mesa à janela no Octógono e acompanhe o céu e as montanhas mudarem de cor de branco para laranja, vermelho e azul antes de sumirem na escuridão.

La Poderosa, o vinho argentino homenageia a moto que Che Guevara pilotou em sua viagem à America Latina. Foto: Adriana Lage
La Poderosa, o vinho argentino homenageia a moto que Che Guevara pilotou em sua viagem à America Latina. Foto: Adriana Lage
Na Estancia Cristina temos tempo para acompanhar a mudança das cores nos picos andinos. Foto: Adriana Lage
Na Estancia Cristina temos tempo para acompanhar a mudança das cores nos picos andinos. Foto: Adriana Lage
Por do sol na Patagônia Argentina tardio na primavera. Foto: Adriana Lage
Por do sol na Patagônia Argentina tardio na primavera. Foto: Adriana Lage

Explorando a Estancia Cristina

Graças à privilegiada localização dentro do Parque Nacional Los Glaciares, a Estancia Cristina é um hotel-destino. Daqueles lugares para onde você vai e não precisa se preocupar em organizar um roteiro de atividades. O lodge oferece diversas experiências guiadas ou não e estão incluídas no valor da diária.

A cor à beira do lago Cristina é assim, verde de doer os olhos. Foto: Adriana Lage
A cor à beira do lago Cristina é assim, verde de doer os olhos. Foto: Adriana Lage

Passeio de 4×4 até o Mirador Upsala, cavalgadas, caminhadas, trilhas e pescaria são algumas das opções. Cerca de 120 a 150 visitantes chegam de barco na estância para um day-use. Eles usufruem da estrutura turística da estância, mas não notei o movimento. Dividem-se em grupos pequenos para explorar as atrações naturais nos 22 hectares de terra e não se aproximam do Octógono ou das cabanas, exclusivos para hóspedes.

Estábulo da Estancia Cristina, Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage
Estábulo da Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
O hotel oferece cavalgadas pelas estepes da Patagônia Argentina; Foto: Adriana Lage
O hotel oferece cavalgadas pelas estepes da Patagônia Argentina; Foto: Adriana Lage

Mirador Upsala, único acesso ao Glaciar por terra

O programa mais esperado é o do Mirador Upsala. A Estancia Cristina é o único lugar de onde podemos chegar por terra para ver a geleira. A camionete do lodge atravessa o Rio Caterina, bosques e sobe a encosta da cordilheira andina. Seguimos uma trilha em meio às rochas coloridas revelando quão inóspita é a região.

Coloração nas rochas identifica as eras glaciares da Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage
Coloração nas rochas identifica as eras glaciares da Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage
As 4x4 desaparecem na imensidão de pedra durante o trekking ao Glaciar Upsala na Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
As 4×4 desaparecem na imensidão de pedra durante o trekking ao Glaciar Upsala na Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage

Lá no topo me deparo com uma vista estonteante. À direita, o imenso Glaciar Upsala parece escorrer seu gelo no Lago Guillermo de azul profundo, cercado de picos nevados. Guardo esta pintura natural na memória.

Sentamos para ouvir o guia discorrer uma aula de história, geologia, sustentabilidade e arqueologia com este cenário inebriante ao fundo. Como hóspedes, subimos ao mirante antes dos turistas diurnos e desfrutamos do momento de contemplação com exclusividade.

Imensidão sem fim do Glaciar Upsala se derretendo no Lago Guillermo. Foto: Adriana Lage
Imensidão sem fim do Glaciar Upsala se derretendo no Lago Guillermo. Foto: Adriana Lage
Panorama privilegiado para hóspedes da Estancia Cristina, antes da chegada dos visitantes diurnos. Foto: Adriana Lage
Panorama privilegiado para hóspedes da Estancia Cristina, antes da chegada dos visitantes diurnos. Foto: Adriana Lage
A profundeza do azul do Lago Guillermo, formado pela água derretida da geleira de Upsala. Foto: Adriana Lage
A profundeza do azul do Lago Guillermo, formado pela água derretida da geleira de Upsala. Foto: Adriana Lage

Na volta, podemos escolher descer a trilha entre cânions e fósseis milenares que leva cerca de três a quatro horas ou retornar com o guia no carro. Analisei a força do vento gélido primaveril e desisti da caminhada, prometendo uma segunda visita durante o verão.

Fóssil encontrado durante o trekking na Estancia Cristina na Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage
Fóssil encontrado durante o trekking na Estancia Cristina na Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage

Cerro Carnero, trilhas com vistas imbatíveis da Cordilheira dos Andes

Na manhã seguinte, me encorajei a fazer a trilha para subir o Cerro Carnero, com 600m de altura. Passamos por cachoeiras, regatos e quanto mais subimos, mais surpreendente é a vista. A estância vai sumindo no vale e o lago glacial verde se destacando.

Do alto avistamos o Lago Cristina, a Cordilheira dos Andes, o Campo de Gelo Patagônico Sul, o Glaciar Upsala e os icebergs que se desprenderam dele e correm para o Lago Argentino. O dia ensolarado e o céu azul contribuíram para a vista de tirar o fôlego. Mais um momento registrado para minhas lembranças.

Lago Cristina do alto do Cerro Carnero, trekking exclusivo na Patagônia Argentina promovido pela Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Lago Cristina do alto do Cerro Carnero, trekking exclusivo na Patagônia Argentina promovido pela Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Subindo 600m no trekking até o topo do Cerro Carnero na Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
Subindo 600m no trekking até o topo do Cerro Carnero na Estancia Cristina. Foto: Adriana Lage
No topo do Cerro Carnero, o hotel desaparece no vale da Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage
No topo do Cerro Carnero, o hotel desaparece no vale da Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage
O verde estonteante do Lago Cristina visto do alto do Cerro Carnero. Foto: Adriana Lage
O verde estonteante do Lago Cristina visto do alto do Cerro Carnero. Foto: Adriana Lage

No retorno, uma pausa no Quincho, o galpão restaurante com vista 360º dos arredores, para provar a famosa torta de maçã. A atendente confidencia que este é o lugar mais bonito para apreciar o por do sol. Anotação mental feita para a próxima visita, porque hoje é meu último dia na estância.

Quincho, o antigo galpão da fazenda hoje funciona como restaurante. Foto: Adriana Lage
Quincho, o antigo galpão da fazenda hoje funciona como restaurante. Foto: Adriana Lage

Precisaria de mais dias para caminhar no bosque até a cascata Los Perros, conhecer a capela e descobrir outras áreas a cavalo. Estou no modo descanso e preferi não lotar a minha agenda com passeios, a fim de curtir a tranquilidade desse lugar tão ermo e divino. Porém, não deixaria a estância sem antes conhecer sua história.

Singela, a capela da estancia está emoldurada pelas montanhas andinas.
Singela, a capela da estancia está emoldurada pelas montanhas andinas.

Museu Costumbrista, conhecendo a vida patagônica

Ao lado do Quincho, no antigo galpão de tosquia de lã, o museu abriga objetos e móveis originais da propriedade. A guia conta a história da família e o início da Estancia Cristina como hospedaria.

O antigo galpão de tosquia abriga o museu da família da Estancia Cristina e da Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage
O antigo galpão de tosquia abriga o museu da família da Estancia Cristina e da Patagônia Argentina. Foto: Adriana Lage

Descubro que estâncias são identidades patagônicas protegidas culturalmente. O termo refere-se aos refúgios construídos por desbravadores estrangeiros que chegaram na região no início dos anos 1900 em busca do ouro que nunca existiu. O mineral encontrado era a pirita, conhecido como “oro del tonto” em virtude de sua cor amarela e brilho metálico.

Essa notícia atraiu o marinheiro inglês Joseph Percival Masters, que acabou se instalando aqui com sua esposa em 1914. O governo argentino prometia aos pioneiros grandes terras por custos mínimos.

Memórias de uma vida patagônica. Nas fotos, o casal inglês Masters. Foto: Adriana Lage
Memórias de uma vida patagônica. Nas fotos, o casal inglês Masters. Foto: Adriana Lage

No meio desse processo, o Parque Nacional Los Glaciares foi criado e eles nunca se tornaram donos da terra, mas ganharam permissão hereditária para ficar. Criaram gado, cavalos e chegaram a ter 27 mil ovelhas, principal fonte de renda.

A estância leva o nome de sua filha Cristina, que sucumbiu à pneumonia ainda jovem. O isolamento da fazenda tornava o acesso ao vilarejo muito demorado e a menina não resistiu.

Os primeiros hóspedes foram expedicionários, científicos e escaladores nos anos 80. Eles eram recebidos por Janet Herminston, viúva de Herbert, o segundo filho do sr. Masters. Foi a maneira que ela encontrou de aumentar a receita para pagar as contas da propriedade. A notícia se espalhou e especialistas do mundo inteiro vinham estudar os achados arqueológicos e paleontológicos. O caminho para a subsistência da estância estava aberto.

Logo atrás do Octógono, o bosque de álamos é perfeito para ler um livro após o almoço. Foto: Adriana Lage
Logo atrás do Octógono, o bosque de álamos é perfeito para ler um livro após o almoço. Foto: Adriana Lage

A Estancia Cristina hoje

Hoje o lodge é gerenciado por empresários e mantém o espírito de outrora. Entendi o grande segredo que me fez mergulhar no modo de vida patagônico de maneira tão singela e verdadeira. A estância se adaptou à natureza, interagindo com ela em seu estado mais puro, sem alterar o ciclo natural da vida. A interferência humana foi mínima.

Lago Cristina de outro ângulo, voltando do trekking até o Glaciar Upsala. Foto: Adriana Lage
Lago Cristina de outro ângulo, voltando do trekking até o Glaciar Upsala. Foto: Adriana Lage

Me despeço agradecendo a oportunidade dessa vivência única. Vou embora com a certeza de que a Estancia Cristina consegue entregar aos hóspedes a sua essência: clima hospitaleiro num cenário singular no mundo com tranquilidade imensurável onde se preserva a história local. Não surpreende saber que integra o exclusivo portfólio de hotéis únicos SulHotels e a National Geographic Traveler a elegeu um dos hotéis mais autênticos e únicos na América do Sul em 2011.

Simplicidade da paisagem inóspita da Patagônia Argentina na Estancia Cristina a qual o homem se adaptou. Foto: Adriana Lage
Simplicidade da paisagem inóspita da Patagônia Argentina na Estancia Cristina a qual o homem se adaptou. Foto: Adriana Lage
Me despedindo da Estancia Cristina, hotel na Patagônia Argentina que deixará saudades. Foto: Adriana Lage
Me despedindo da Estancia Cristina, hotel na Patagônia Argentina que deixará saudades. Foto: Adriana Lage

Estancia Cristina, hotel exclusivo onde o luxo está na simplicidade

Quando ir à Estancia Cristina

A Estancia Cristina abre suas portas de 15 de outubro a 15 de abril e fecha durante a temporada de outono- inverno (16 de abril a 14 de outubro)

Localização

A Estancia Cristina se localiza a noroeste de El Calafate, a 3h de barco desde o Porto Punta Banderas.

Como chegar à Estância Cristina

A Estancia é acessível apenas de barco.

São três horas de voo até El Calafate, partindo de Buenos Aires.

Ao chegar na cidade, o carro do lodge leva os hóspedes até o Porto Punta Bandera, o trajeto leva cerca de uma hora. Em seguida, são mais três horas de navegação pelo canal do Lago Argentino. O passeio em meio a cenários lindíssimos já te coloca em contato com o espírito patagônico.

Quanto custa

Diárias a partir de USD 683, pensão completa.

O que está incluído na tarifa

Traslado de ida e volta do aeroporto ou hotel em El Calafate até o Porto Punta Banderas;

Navegação de ida e volta entre lagos e paisagens estonteantes e parada próxima ao Glaciar Upsala para contemplação;

Hospedagem com pensão completa;

Bebidas não alcóolicas;

Atividades dentro da Estancia Cristina;

Entrada ao Parque Nacional Los Glaciares.

Quem leva

A Leroy Viagens cria roteiros especializados para a Patagônia Argentina. Entre em contato:

Roberta Leroy – [email protected]

Fones e Whatsapp: 31 3143.1473  |  31 99119.1473

Site: leroyviagens.com.br

Dicas de viagem à Patagônia Argentina

Combine a viagem à Estancia Cristina com as cidades El Calafate, El Chaltén e Ushuaia.

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