Histórias de viagem: um Don Juan croata em Paris

04/10/16 | Adriana Lage | Opinião

Adoro ouvir e contar histórias de viagem. Mulheres que viajam sozinhas são livros de contos e crônicas que transitam entre o cômico e o terror.

Neste caso, foi comédia romântica. No primeiro dia em Paris, cheguei no hotel às 6 da tarde e como o verão próximo, o sol ainda estava alto no céu. Não hesitei.

Tomei banho para renovar as energias e fui relembrar como é a região de Montmartre após minha última vez no bairro.

Flanei pela Rue des Abesses, corredor gastronômico da área, buxixo agitado de dia e de noite.

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De bar em bar na Rue des Abbesses, animadíssima. Foto: Adriana Lage

Conheci o Muro do Eu te Amo na praça homônima da rua, subi as famosas e movimentadas escadarias e cheguei ao topo do morro bem na Place du Tertre.

Assistidos por Marlene Dietrich retratada acima dos azulejos. Foto: Adriana Lage
Plaquinhas de rua tradicionais. Foto: Adriana Lage

Fui até a igreja de Sacre Coeur agradecer por estar ali e vi a noite cair sobre a cidade sentada na escadaria,  palco famoso para o show do por do sol.

Voltei à praça e escolhi uma mesa na calçada do restaurante Au Clairon de Chasseurs, porque ele fica bem em frente aos artistas de rua que desenham seu rosto em meia hora em troca de uns bons euros.

Mais do que avaliar a gastronomia do restaurante, eu queria mesmo era observar aquela agitação, a rotina desses artistas e a abordagem para atrair a atenção dos turistas, possíveis fregueses.

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Histórias de viagem: De olho no movimento

Saboreei a tradicional sopa de cebola e pedi um faux-fillet com batatas fritas, no muito bem vindo “formule”, um menu especial com 2 (ou 3 refeições) em torno de 16 a 19 euros.

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Amo sopa de cebola! Foto: Adriana Lage

Como viajei a trabalho e estava sozinha, fiquei ali curtindo o momento e fazendo exatamente o que havia planejado: cuidar o vai-e-vem da rua e imaginar de onde vêm todos esses turistas. Quem é casal, quem é família, imaginar como é a rotina dos artistas.

Até considerei a hipótese de que cada um tem seu próprio espaço que não pode ser ocupado por outro. Também bati uma foto aqui e outra ali.

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Vendo o tempo passar. Foto: Adriana Lage

Uma mulher sozinha é alvo fácil para os Don Juans de plantão. Muitas vezes não acho ruim, desde que a abordagem seja sutil e não invada minha zona de conforto. Aceito-as como elogio e ponto final. Não estendo a prosa.

Ao meu lado sentaram três senhoras acompanhadas de um rapaz. Bom, ele nem era tão rapaz assim. Já grisalho, todo sorridente, falava francês fluente com o garçom e em outro idioma irreconhecível para nosso padrão latino.

Não pude evitar olhá-los chegando e ganhei um bonjour, bon apetit dele. Desconfiei que em alguns momentos eu era assunto da conversa, mesmo não entendendo uma palavra do idioma desconhecido.

Não dei atenção e submergi de volta no meu mundinho imaginativo.

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Muita gente para e fica observando os traços tomarem forma de rosto. Foto: Adriana Lage

Histórias de viagem: A armação do cupido

Já fazia quase duas horas que eu estava ali e o cansaço da viagem começou a bater. Levantei para ir embora e o rapaz da mesa vizinha me pediu para tirar foto das três senhoras. Elas eram sua família croata e estavam em Paris a passeio.

Falei “ok, cadê a máquina?” e ele respondeu que não tinha uma. Pediu que eu usasse a minha e enviasse a foto para ele por email. E aí, como negar um pedido com as três senhoras olhando pra mim com cara de “por favor!”?

Saquei na hora que havia algo mais por trás daquele pedido, mas tirei a foto. Enquanto o rapaz croata-francês escrevia seu email, as senhoras me perguntaram de onde eu era e foi então que descobri sua origem.

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Histórias de viagem: ei-las as anjinhas. Foto: Adriana Lage

Como era véspera de abertura da copa do mundo, mencionaram alegremente que jogariam contra nós no primeiro jogo. Enfim, o rapaz me passou seu email e disse que morava em Paris. Se eu quisesse ele me levaria para conhecer a cidade luz. A-ha! Bingo!

Agradeci e fui embora rindo com a armação inteligente das senhoras… coisas de família.

Se eu mandei a foto por email? O que você faria?

E você, me conte suas histórias de viagem!

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