9 meses de viagem pelo sudeste asiático: o que eu aprendi

16/08/17 | Adriana Lage | Opinião

O que eu aprendi em 9 meses de viagem pelo sudeste asiático. Muitas pessoas me perguntam como eu consigo viajar tanto tempo. Começo com uma breve introdução para contextualizar o cenário e, mais abaixo, enumero as lições que tenho aprendido nessa viagem, diversas mas não exaustivas.

Viajar pelo mundo, um sonho de infância

Desde muito jovem sou fascinada pelo mundo, viajando em meus pensamentos por meio de livros e revistas de viagem, arquitetura, fotografia e aventura. Colecionei a Viagem e Turismo desde a 1ª edição com Nova York na capa. Reservei parte de meus ganhos para assinar a televisão a cabo quando chegou no Brasil, produto ainda caro na época nos idos anos 1990. E construí minha vida de maneira convencional, trabalhando e guardando dinheiro para viajar.

No entanto, nunca conseguira passar mais do que 30 dias fora em cada viagem, mesmo tendo a flexibilidade para viajar várias vezes por ano. Uma única vez emendei dois destinos, Egito e Austrália, e permaneci 50 dias no exterior. Os dias voaram.

Era um sonho passar um ano fora em um intercâmbio quando adolescente e, já adulta, evolui para uma volta ao mundo. Mas minhas raízes não me permitiam fazer isso. Um bom trabalho, um amor, falta de reserva financeira suficiente, casa e contas para pagar. Ora uma coisa, ora outra, ora uma combinação delas. E eu era feliz dando minhas escapadelas para respirar o mundo. Me planejei e me estruturei.

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Realizando o desejo: a viagem pelo sudeste asiático

Um certo dia, percebi que chegara a hora de realizar meu sonho de colocar as rodinhas no pé e sair pelo mundo. Resumindo, não havia mais raízes. Algumas se desfizeram, outras eu me desfiz. Eu estava livre de qualquer compromisso no Brasil.

O coração acelerou e decidi fazer uma viagem pela Ásia. Providenciei logo a passagem para não desistir da minha escolha. Partiria em dois meses para Bangcoc, na Tailândia. Marquei o retorno para quatro meses depois, numa atitude racional de segurança, delimitando uma data limite caso eu não me adaptasse aos costumes do continente e à minha nova rotina.

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Meu lema para a viagem pelo sudeste asiático. Foto: Adriana Lage

Então me despedi de São Paulo olhando pela janela do avião, as luzes da metrópole se distanciando, como se fosse meu passado ficando longe, etéreo, um ponto intangível no continente. Era noite do dia 15 de novembro de 2016, proclamação da minha própria república e aniversário do meu pai, a quem roguei proteção lá do alto. Minha viagem pelo sudeste asiático começava.

Expectativa nas nuvens, controlando a ansiedade e o medo, mas numa felicidade que tomou conta de mim face às novas oportunidades. Meu desejo, contudo, era não regressar. Em minhas fantasias, me via comprando passagem só de ida, de uma cidade a outro novo destino.

Eis que estou aqui, em Hué, no centro do Vietnã, há exatos nove meses. Não regressei ao Brasil, tampouco senti os dias transcorrerem com tanta rapidez. E vejo que aquelas tais fantasias são realidade.

E hoje parei para colocar no papel algumas das lições que essa viagem pelo sudeste asiático tem me ensinado.

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9 meses de viagem pelo sudeste asiático:

as lições que aprendi

Sonhos e pessoas

As aspirações e os sonhos do ser humano são universais.

Os problemas e os desafios do ser humano são universais.

Em qualquer lugar do mundo, as pessoas trabalham para ter um teto onde se proteger e comida para se alimentar.

A capacidade do ser humano em se adaptar aos revezes da vida é universal.

A capacidade do ser humano em utilizar a matéria-prima local é sensacional.

Barcos cestas inventados pelos pescadores vietnamitas para fugir dos impostos franceses. Da Nang, Vietnã. Foto: Adriana Lage
Imãs de geladeira feitos com cocô de elefante em Polonnaruwa, Sri Lanka. Foto: Adriana Lage

O ser humano tem a competência para construir obras fantásticas.

O ser humano tem a crueldade para destruir sociedades inteiras.

Os chineses já dominaram o mundo. Estão em todos os lugares e isso é assustador.

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Arquitetura mais impressionante da viagem pelo sudeste asiático: Palácio Real de Bangcoc, Tailândia. Foto: Adriana Lage
Arquitetura espetacular no Gardens by the Bay, Singapura. Foto: Adriana Lage

Todo império um dia desmorona.

Toda guerra um dia chega ao fim.

Todo problema um dia chega ao fim.

Você cruza o oceano e o problema vai junto contigo.

O problema desaparece quando você o resolve dentro de si mesmo.

Existe bondade no mundo.

A Ásia tem pessoas maravilhosas.

A Ásia tem pessoas interesseiras e mentirosas.

As condições de trabalho sub-humanas dos artesãos asiáticos são chocantes.

O artesanato maravilhoso que esses homens e mulheres produzem não tem preço.

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Condições primárias de trabalho em Mandalay, Myanmar. Foto: Angela Manta
Esculturas de budas à venda em Mandalay, Myanmar. Foto: Angela Manta

A sabedoria dos homens humildes não tem preço.

Humildade é fundamental.

Barganhar é primordial.

Comprar lembranças de viagem não é essencial.

Momentos simples que emocionam: encontrar as colhedoras de chá em Nuwara Eliya, Sri Lanka. Foto: Adriana Lage

Viajar pela Ásia

Viajar pela Ásia é fácil, muito fácil, mas muito fácil mesmo.

Faz calor na Ásia, muito calor, mas muito calor mesmo.

A gastronomia na Ásia é apimentada, muito apimentada, mas muito apimentada mesmo.

Pimentas no mercado de rua em Mandalay, Myanmar. Foto: Angela Manta

Os asiáticos não têm noção de espaço.

Google Maps e Google Tradutor são as ferramentas mais necessárias na Ásia.

Turismo na Ásia pode ser muito barato ou nem tanto.

É impossível aprender tudo sobre a Ásia em apenas um ano de viagem.

Você não precisa fazer mochilão na Ásia por um ano. É possível viajar com mais conforto.

Eu não tenho perfil para fazer mochilão na Ásia. E tudo bem eu ser assim.

É seguro viajar pela Ásia, mas tome suas precauções.

Não viaje sem seguro saúde viagem.

Torça para não precisar usar seu seguro viagem.

A fé budista torna a população pacífica. E é libertador sentir essa paz.

Na Ásia não tenho medo de assalto à mão armada. Isso não existe.

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Noviços budistas saindo às ruas para pedir comida, ritual diário em Myanmar. Foto: Angela Manta
Minha mãe recebendo bênção no templo de Angkor Wat, Siem Reap. Emocionante. Foto: Adriana Lage
Monges budistas estão por todos os lugares no sudeste asiático. Aqui em Mandalay, Myanmar. Foto: Adriana Lage

Viagem e companhia

Viajar sem compromisso é libertador.

Eu não me canso de viajar.

Viajar cansa.

Aprender na prática sobre novas culturas é engrandecedor.

Muita informação nova cansa.

Descansar é bom demais.

Viajar acompanhado é maravilhoso.

Viajar sozinho é maravilhoso.

Você nunca viaja sozinho se está conectado nas redes sociais.

O Whatsapp nunca deixa você se sentir sozinho.

Sobrinhos conversam com você pelo Whatsapp como se estivéssemos todos no mesmo ambiente.

Seus amigos e seguidores do Instagram não te deixam se sentir sozinho.

Seguidores virtuais do Instagram viram amigos reais.

Se quiser realmente ficar sozinho, deixe o celular no hotel.

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Ano novo na festa da lua cheia (Full Moon Party) em Koh Phangan, Tailândia. Foto: Adriana Lage

Liberdade de ir, vir, pensar e agir

Conhecer pouco de muitos países é legal.

Conhecer muito de poucos países é melhor ainda.

Planejar antecipadamente cada detalhe de uma viagem é perfeito.

Planejar apenas o dia de hoje de uma viagem é libertador.

Viver apenas o dia de hoje é libertador.

Sempre haverá um quarto de hotel disponível para a data de hoje.

Tudo bem se eu não gostar de todas as atrações de um destino.

Algumas pessoas afirmam que certos programas são micos. Você vai e adora.

Algumas pessoas adoram certos programas. Você vai e acha mico.

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Buda deitado em Anuradhapura, Sri Lanka, país fora do roteiro turístico batido. Foto: Adriana Lage

Eu definitivamente não gosto de fazer tours em grupos.

É essencial contratar um guia para te falar sobre uma atração.

É libertador ler muito a respeito de uma atração para você não depender do horário corrido de um guia.

Quem muito corre, nada vê.

Quanto mais tempo fico numa determinada atração, mais percebo os detalhes que não vi à primeira vista.

Eu não me canso de ver templos.

Kuthodaw Pagoda, o maior livro a céu aberto do mundo, Mandalay, Myanmar. Foto: Angela Manta
Wat Srisuphan, o templo de prata e alumínio em Chiang Mai, Tailândia. Arquitetura e arte inacreditáveis. Foto: Adriana Lage

Caminhar é a melhor maneira de explorar uma cidade.

Caminhar muito cansa.

Andar de scooter na Ásia é muito fácil. O segredo é dirigir devagar.

Andar de scooter enche minha alma de um sentimento de liberdade e eu adoro.

Andar de scooter pelo sudeste asiático é viver como os locais. Foto: Adriana Lage

Tudo bem se eu não provar comida de rua na Ásia. Eu não passei mal um dia sequer e estou feliz com disso.

Eu não me adaptei à culinária asiática gordurosa e condimentada. E tudo bem eu ser assim.

Viaje mais: 19 melhores restaurantes em Siem Reap, lista completa!

Bijus à base de leite de coco. Comida de rua em Siem Reap, provada e aprovada, Camboja. Foto: Angela Manta
Uma das poucas vezes que provei comida de rua. Jakarta, Indonésia. Foto: Adriana Lage

Eu amo atrações turísticas aonde todo mundo vai. E tudo bem eu ser assim.

Eu amo atrações turísticas aonde quase ninguém vai. E tudo bem eu ser assim.

Eu amo arquitetura antiga e tradicional.

Eu amo arquitetura moderna e futurística.

Eu amo cidade grande e pequena.

Eu amo praia e montanha.

Eu sou eclética e amo isso.

Viaje mais: Visto para Indonésia: como tirar, documentos, taxas

Arquitetura típica da Indonésia em Taman Mini, atração que surpreende em Jakarta. Foto: Adriana Lage
Melhores arquiteturas do mundo, sobrados Peranakans, em Malacca, Malásia. Foto: Adriana Lage

Nascer ou pôr do sol?

Eu tenho perfil para assistir ao pôr do sol todos os dias.

Eu tenho perfil para assistir ao nascer do sol muito raramente.

Ver o sol nascer em Angkor Wat, no Camboja, não tem preço.

Ver o sol nascer em Borobudur, na Indonésia, não tem preço.

Melhores momentos da viagem ao sudeste asiático: Amanhecer em Borobudur, Indonésia. Foto: Adriana Lage
Amanhecer em Angkor Wat, Camboja, programa mandatório numa viagem ao sudeste asiático. Foto: Adriana Lage

Acho lindo ver o nascer do sol do alto de um vulcão, mas não vou acordar às 2h da manhã para subir a montanha e correr o risco de amanhecer nublado.

Ver o pôr do sol deveria ser compromisso diário de todos os habitantes no planeta.

Ver o pôr do sol todo dia não tem preço. E tudo bem se estiver nublado naquele dia.

Ver o pôr do sol na praia é o melhor programa da vida.

Melhores poentes acontecem em praias. Sihanoukville, Camboja. Foto: Adriana Lage
Pôr do sol em Langkawi, Malásia. Foto: Adriana Lage

Do mais exclusivo ao mais popular

A Ásia tem lugares únicos surpreendentes.

A Ásia tem lugares triviais nada surpreendentes.

Não precisa vir à Ásia só para conhecer as praias mais bonitas. O Caribe é mais perto.

As melhores experiências que vivi foram nos lugares mais exclusivos.

As melhores experiências que vivi foram nos lugares mais simples.

Os presentes mais surpreendentes que ganhei vieram de pessoas que conheci nos lugares mais exclusivos.

Os presentes mais emocionantes que ganhei vieram de pessoas que conheci nos lugares mais simples.

Viaje mais: Restaurante no escuro: jantar sensorial em Kuala Lumpur

Momentos que emocionam: jantar tailandês com show dançante no Mandarin Oriental Bangkok. Foto: Adriana Lage
Melhor experiência gastronômica: Li Feng, restaurante cantonês no Mandarin Oriental Jakarta. Foto: Adriana Lage
Momentos mais emocionantes: presente em flor oferecido pela colhedora de chá em Nuwara Eliya, Sri Lanka. Choreeeiii. Foto: Adriana Lage

É maravilhoso se hospedar num hotel cinco estrelas cercada de mimos.

É maravilhoso se hospedar numa guesthouse e ser recebida como amigo da casa.

Em guesthouses conhecemos a hospitalidade e a realidade de muitos cidadãos do país.

Em hotéis cinco estrelas conhecemos o conforto e a realidade de poucos cidadãos do país.

O luxo está na simplicidade.

A liberdade está na simplicidade.

A felicidade está na liberdade.

A felicidade está na simplicidade.

Experiências memoráveis no The Andaman Resort & Spa, em Langkawi, Malásia. Foto: Adriana Lage
Momentos simples que me emocionaram na viagem pelo sudeste asiático: sorvete à beira-rio em Singapura, admirando Gardens by the Bay na margem oposta. Foto: Adriana Lage

Concluindo sobre minha viagem pelo sudeste asiático

Um chapéu colorido faz toda a diferença numa foto bacana.

Tudo bem só apreciar o momento e não se preocupar em tirar fotos.

As melhores lembranças são as experiências vividas.

Viaje mais: 21 motivos para visitar a Malásia além de Kuala Lumpur

Aprendi com as asiáticas a compor a foto usando chapéu. Foto: Adriana Lage

Sempre haverá um perrengue na viagem.

Todo perrengue vira história de viagem.

Há perrengues que são desafios e valem a viagem.

Em algum momento você pagará um mico na viagem.

Todo mico vira história de viagem.

Em algum momento você passará um susto na viagem.

Todo susto traz um ensinamento de viagem.

Perrengue de viagem: Spa ayurvédico em Habarana, Sri Lanka. Foto: Adriana Lage
Perrengues de viagem se tornam desafios emocionantes. No topo da cidadela de Sigiriya, Sri Lanka. Foto: Adriana Lage

Tenha calma. Tudo dá certo no final.

A melhor experiência é fazer aquilo que seu coração pede.

A vida que levamos é a vida que escolhemos.

E eu estou vivendo a vida que escolhi.

Que venham os próximos nove meses.

Pôr do sol do alto do templo Pre Rup em Siem Reap, Camboja. Melhores momentos da viagem pelo sudeste asiático. Foto: Angela Manta
Momentos emocionantes: bolo de aniversário surpresa na viagem de trem a bordo do Expresso do Oriente na Ásia, Belmond Eastern & Oriental Express. Foto: Adriana Lage

Quanto mais escrevo, mais aprendizados surgem, então estou dividindo minhas impressões sobre a viagem pelo sudeste asiático em posts temáticos.

Estas são minhas opiniões pessoais e você não precisa concordar com todas elas. Tomara que não! O mundo está ficando muito igual. Adoraria ouvir suas experiências, me conte nos comentários.

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10 comentários sobre “9 meses de viagem pelo sudeste asiático: o que eu aprendi

  1. Delicia de relato Adri !
    Tenho fixaçāo asiática ( acho que é ancestral ) , e poder te acompanhar nas aventuras é uma bençāo !
    Nenhum lugar proporciona mais crescimento pessoal do que o Sudeste Asiático, onde nossas referencias pessoais servem para nada 😉

    1. Obrigada Sylvia!
      A Ásia é um caldeirão de culturas, religiões, gastronomia, pessoas, paisagens e experiências maravilhosas!
      É uma delícia sorver tudo isso devagar, sem pressa, e assim sentir no fundo do coração!
      Bom demais ter sua companhia virtual que parece presencial! <3
      Beijos

  2. Dri, é emocionante ler suas experiências!! Sinto que estou com você vivendo tudo isso!! Até consigo ver seu sorriso ao escrever. Acordo com vontade de saber o que você nos trouxe para o dia. Fico imensamente feliz por ver sua felicidade, por sentir que está vivendo uma experiência única, por viver o que sempre quis. Você merece cada instante de felicidade que o mundo está te proporcionando. Sei que também está deixando um pouco de si em tudo e em todos os que passam pelo seu caminho, pois você é luz! Seja feliz em todos os lugares em que for e, principalmente, dentro de si!! Te amo e um dia estarei com você nas viagens que sempre sonhei realizar contigo.

    1. Linda…. choreeeei com suas palavras! Obrigada do fundo do coração!
      Agradeço a Deus por ter você perto de mim! Você é luz no meu caminho! E você merece em dobro a felicidade do mundo!
      Logo logo faremos essa viagem! 2018 que nos aguarde!

  3. Quanta riqueza vestida de aprendizado! Fiquei emocionadíssima com relato das suas experiências.
    E para minha felicidade, até me senti contemplada em um pedacinho dela. Depois de te acompanhar por tantos meses, foi muito bom te conhecer naquele clima de Brasil, no meio de Bali.
    Muita luz e positividade na sua jornada, independente da localização geográfica.
    Sigo acompanhando tudo e me inspirando MUITO em você. Bjo grande!

    1. oi Tere!
      obrigada pelo carinho e por tanta energia boa!
      Adorei te conhecer e vamos nos rever em breve em algum canto do mundo!
      Que essa luz se estenda por todo o seu caminho!
      beijo no coração!

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