Minas de sal na Cracóvia: Wieliczka, melhores atrações na Polônia

31/07/17 | Adriana Lage | Lugares

As Minas de Sal na Cracóvia (Krakow em inglês) são um dos principais passeios para quem vai à cidade. Uma das atrações mais famosas da Polônia, os locais referem-se a ela como a Catedral de Sal Subterrânea do país. As minas ficam a 15 minutos do centro, no vilarejo de Wieliczka.

É patrimônio da humanidade da UNESCO desde 1978, tanto pelo seu estado de conservação (é uma obra de arte per se) quanto pelo que elas fazem (há tratamento do ar em seus túneis e até um sanatório pra cuidar de pessoas com problemas respiratórios).

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Esculturas em sal retratam a rotina dos mineradores. Foto: Adriana Lage

Minas de Sal de Wieliczka

As minas recebem mais de um milhão de visitantes todo ano e são um dos monumentos mais importantes da cultura polonesa. Os depósitos de sal se formaram há 13,6 milhões de anos, que começaram a evaporar durante o período Neolítico, há 6 mil anos.

Foram encontradas no local ferramentas para a fabricação de sal datadas do século X, produzidas pelos habitantes dos primeiros assentamentos medievais.

Em funcionamento desde o século 13, as minas ainda produziam sal de mesa nos anos 2000 e estão entre as minas de sal mais antigas em operação sem interrupção. A produção foi descontinuada em 2007.

Durante o percurso, você se depara com esculturas e baixos-relevos contando a história das minas esculpidos em pedras de sal, máquinas e ferramentas utilizadas pelos trabalhadores.

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Vida árdua dos mineradores de sal. Foto: Adriana Lage

No subterrâneo, existe restaurante, banheiros, luz elétrica, água e até loja. Uma verdadeira cidade esculpida na rocha por mineradores de várias gerações.

O guia nos contou que cavalos eram usados para ajudar no trabalho e que alguns inclusive nasceram ali, mas não se acostumaram com a vida lá em cima, na superfície, quando encerraram as atividades nas minas.

Entre os visitantes ilustres estão Nicolaus Copernicus, Johann Wolfgang von Goethe, Papa João Paulo II, Bill Clinton e essa moça que vos fala 🙂

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Como é a visita às Minas de Sal na Cracóvia

Dos impressionantes 287 quilômetros de túneis e galerias escavados e absurdos 327m de profundidade, o tour percorre apenas 2km. O guia, que também falava alemão, era super engraçado. Coitado, deve fazer as mesmas piadas 30 vezes por dia!

Começamos descendo uma escadaria de 380 degraus de madeira… eu contei! E aí começamos a andar por túneis ora de madeira, ora de pedra… de sal! Uma pedra verde que ao ser iluminada, mostra sua transparência, muito bonito!

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Uma palhinha das escadarias que descemos nas minas em Wieliczka.

Me senti uma verdadeira formiga, descendo, descendo até 135m abaixo da terra. E dá-lhe escada! E dá-lhe corredor ligando as câmaras! E pensar que tudo isso foi escavado manualmente pelos mineradores! Imagino quantos não pereceram. Há marcas das espátulas e ferramentas que eles usavam.

Ao longo do caminho encontramos esculturas esculpidas pelos mineradores em pedra de sal, contando como faziam para abrir novos túneis, como trabalhavam, como transportavam as pedras e as madeiras, tudo como estudamos na física (mecânica), e eles nem precisavam ir à escola!

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Mais esculturas pelo caminho nas Minas de Sal na Cracóvia. Foto: Adriana Lage

Passamos até por lagos, extremamente salgados segundo o guia, não, não bebi. Existem algumas marcas nas paredes e no teto. O guia nos explicou que é o modo moderno de tratar a pedra sem precisar escorar com madeira. Eles drenam a água que está lá dentro e depois jogam cimento, como durepox, para ela não desmoronar. Nada como a tecnologia!

Capela de sal de St. Kinga, o ápice do tour à Mina de Wieliczka

Resumindo, andei mais de 2 km dentro da terra. Confesso que já estava cansada, quando chegamos ao melhor do tour: uma igreja com mais de 12m de altura e 54 de comprimento, a 101m abaixo da superfície, toda aberta pelo homem e toda feita pelos mineradores!

A primeira vista que temos quando chegamos à Capela de St Kinga em Wieliczka.

Demorou 30 anos para ser construída e até o chão é de pedra de sal puro, alternando formas octogonais grandes e pequenas.

Ao descer as escadas, em suas laterais encontram-se imagens de diversos santos como Nossa Senhora, Sagrado Coração de Jesus. Tudo em pedra de sal! Os lustres, acho que são uns seis, gigantes, todos de sal. Os cristais dos lustres foram feitos dissolvendo o sal e o reconstituindo para alcançar a aparência transparente como o vidro.

Momento mais lindo da visita às Minas de Sal na Cracóvia. Foto: Adriana Lage
Altar de Santa Kinga, a padroeira dos mineradores de sal.

O altar com a imagem da Santa Kinga também é de sal!

Há quatro afrescos com mais de um metro, próximos ao altar, retratando imagens bíblicas, uma delas, a última ceia de Da Vinci. A perfeição da perspectiva do artista, que é minerador, é invejável! Ali ainda são rezadas missas todos os domingos e celebram até casamentos.

Impossível não se impressionar com a perfeição dos detalhes. Foto: Adriana Lage
A Última Ceia de Da Vinci esculpida em sal na Capela de St. Kinga. Foto: Adriana Lage
Jesus orando no templo aos doze anos. Cena esculpida nas paredes da capela.

A lenda sobre a Princesa Kinga, a padroeira dos mineradores de sal

A capela homenageia Santa Kinga, a santa dos mineradores de sal. Ela foi a filha do rei Bela IV e esposa do governante polonês Boleslau V, o casto. Juntou-se ao mosteiro de Santa Clara e tornou-se santa pela igreja católica.

Reza a lenda que a princesa húngara, noiva de Boleslau V, o Casto, pediu uma pedra de sal a seu pai, como parte de seu dote. O rei a levou para uma mina de sal em Máramaros, hoje na Romênia. Lá, ela jogou seu anel de noivado em uma fenda.

Ao retornar para a Cracóvia, mandou os mineiros cavarem um buraco até encontrarem uma rocha. Acharam então uma pedra de sal e ao partirem-na ao meio, surgiu o anel da princesa. Ela se tornou, então, a padroeira protetora deles.

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Retrato de uma lenda: minerador entrega a pedra de sal para a princesa Kinga. Foto: Adriana Lage

Finalizando o tour pelas minas de sal na Cracóvia

Claro que ali embaixo também tem lojinha! Mas não tem sinal de cartão de crédito, então tudo só no cash!

Estava cansada e morrendo de vontade de ir embora. Fim do tour e hora de pegar o elevador para subir… ainda bem! Então tá: “ó, galera, siga esse corredor, vire aqui, vire ali, ande mais um tanto, desça outra escada, e vocês chegarão ao elevador…” ãhn? Como assim?

Pois é, já estava a ponto de gritar por socorro, não aguentava mais andar, quando eis que…. vi uma luz no fim do túnel, mas não é o fim do túnel, é uma fila de turistas querendo subir de elevador. Como hoje é feriado, está muuuito cheio!

Trecho dos 287km de túneis escavados nas Minas de Sal na Cracóvia.

Demorei mais uns vinte minutos, pelo menos, pra subir pelo elevador que, por sinal, sobe rapidíssimo. Havia umas dez pessoas naquele cubículo, não dava pra ninguém se mexer.

Quando enfim vi a luz do dia, segui para o estacionamento. Fui em busca dos sete anões e me achei a Branca de Neve “Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou, para-ra, tibum, para-ra tibum, eu vou , eu vou, eu vou, eu vou…”

Não resisti e comprei um anãozinho, souvenir! Só não sei se é o zangado ou … quais os nomes deles mesmo?

Cansaço à parte, a visita às Minas de Sal da Cracóvia é mandatória. Reserve o resto do dia para descansar, fazer uma massagem ou sentar-se à mesa em um dos cafés para observar as pessoas.

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Túneis e galerias escuros pelo caminho nas Minas de Sal na Cracóvia. Foto: Adriana Lage

Como chegar às Minas de Sal de Wieliczka

Recomendável

De trem: a partir da Main Railway Station na Cracóvia (Dworzec Główny). Desça na estação Wieliczka Rynek Kopalnia

Econômico

De ônibus: pegue o ônibus número 304 ao lado do shopping mall Galeria Krakowska (ul. Kurniki). Desça no ponto chamado Wieliczka Kopalnia Soli.

Prático

Eu havia alugado carro, então usei o GPS para indicar o caminho.

Dicas para visitar as Minas de Sal na Cracóvia

Para visitar as Minas de Sal de Wieliczka, é obrigatório fazer  o tour guiado, que dura cerca de duas horas. Disponível em inglês (a cada meia hora), francês, alemão, russo, italiano e espanhol para salvar os brasileiros que não falam o idioma da terra do Tio Sam.

Em virtude de sua fama, tente visitá-la logo cedo ou na baixa temporada. Apesar de ter ido à Polônia no mês de maio, demorei uma hora para entrar, porque era feriado. Por onde eu olhava, via gente e mais gente e só escutava swarovski, polarovski, perestroika, eita língua complicada!

Leve casaco porque a temperatura lá embaixo varia de 14 a 16 graus Celsius. E vista calçados confortáveis porque caminha-se muito e há escadas para subir e descer.

Cadeirantes conseguem fazer parte do passeio, descendo e subindo de elevador. No entanto, pulam-se alguns trechos onde há escadas.

Pais com crianças de colo vão sofrer mais um pouco, depende da sua disposição.

Ingressos e Tours

O ingresso custa PLN 85 zlotys durante o ano, com exceção dos meses de julho e agosto quando sobe para PLN 89 zlotys e inclui o tour guiado.

Eles oferecem experiências diferentes como o Tour Noturno e a Escapada Subterrânea (The Underground Escapade), mas é necessário agendar com antecedência pelo site.

Vale a pena comprar o ingresso online para evitar as filas.

Mais informações e ingressos no site: wieliczka-saltmine.com

 

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Algumas fotos deste post são minhas e outras da Wikimedia.

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