Campo de concentração nazista: visitando Auschwitz

28/06/16 | Adriana Lage | Experiências

Terceiro dia na Polônia, dia de visitar o campo de concentração nazista de Auschwitz.

Perdi a hora e acabei levantando às 8h30 e ainda bem, pois estava chovendo, aliás, chuviscando, e assim ficou o dia inteiro! Mudei um pouco os planos e fui direto ao campo de concentração nazista de Auschwitz, com sorte lá o tempo estaria melhor.

Peguei a autoestrada umas 9h30 e tive que pagar pedágio, 6,50 zlots, mas pode andar a 130km/h, quer dizer, quando não estão mexendo na estrada. Aliás, praticamente por todo o caminho desde Varsóvia até Cracóvia (as duas maiores cidades do país) há obras de duplicação, o que ajuda a atrapalhar a viagem.

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Chegada ao Campo de Concentração Nazista

Pouco mais de uma hora e cheguei ao local. Não precisa pagar pra entrar e também não tem ninguém cuidando do local (pelo menos não vi). Como cheguei cedo, o lugar ainda estava bem vazio. Ao sair, havia pelo menos uns seis ônibus de turismo. Fica a dica!

Experiência de viagem marcante. Auschwitz já impressiona ali na frente. A entrada de tijolinhos tem um portão grande e mais ao lado, a entrada para o trem, ainda com os trilhos, revelando o destino final dos judeus (e não judeus também, pessoas doentes iam pra lá).

Em conjunto com o campo de extermínio de Birkenau, Auschwitz foi declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco em 1979. O maior campo de concentração nazista é o símbolo da crueldade humana onde mais de 1 milhão e meio de inocentes foram torturados e assassinados.

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Era ali que os trens faziam a última parada. Foto: Adriana Lage

Visitando o complexo de Auschwitz

O complexo é todo cercado de arame farpado dos grossos e, dentro, um campo numa planície a perder de vista. Ao logo de todo o complexo, há placas de madeira presas ao chão, pessoas que perderam seus parentes ou que quiseram deixar uma homenagem escrita aos que aqui estão.

Auschwitz é muito silencioso e não sei o que mais me impressionou. O ar é pesado, triste, e me deu certo desconforto tirar fotos. Sorrir na foto nem pensar, não dá.

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Sem clima para sorrisos. Foto: Adriana Lage

Entrei nos galpões de madeira com chaminés de tijolo, um ao lado do outro, que serviam de banheiro, ambulatório, cozinha e acomodação. Os galpões eram numerados e onde ficavam os dormitórios, cabiam pelo menos 150 pessoas, divididas em 78 beliches de concreto. Havia pelo menos uns 50 galpões.

As janelas todas têm barras, iguais a presídio. Muitos galpões ruíram e só sobraram as chaminés. Os banheiros eram coletivos: no centro do galpão, havia uma bancada com um buraco redondo em cada um dos lados por toda a extensão do galpão até o meio. Na outra metade ficavam os chuveiros.

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Homenagem aos que ali ficaram. Foto: Adriana Lage

Alguns galpões estavam vazios, só uma bancada central ao longo do galpão, parecia um grande fogão, não sei bem.

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Destruindo vestígios

No fundo do campo ficavam as câmaras de gás e os incineradores dos corpos, cujas cinzas eram jogadas em poços rasos ao lado. Existem placas com algumas explicações. Após o envenenamento com o gás, um guarda entrava na câmara e pegava tudo de valor que havia: relógios, dentes de ouro, correntes e anéis.

Os documentos dos falecidos eram todos queimados para não deixar vestígios. E, quando a situação começou a ficar ruim para os alemães, eles mesmos destruíram muitas provas das atrocidades e explodiram os crematórios. Hoje restam só as ruínas do prédio. E pensar que eles ainda acreditavam que estavam chegando em fábricas, que tinham emprego!

Infinidade de galpões. Foto: Adriana Lage

Reflexões pós-visita

Mais uma vez agradeço a Deus por ter me deixado nascer onde nasci, na família que nasci, na época que nasci! Bem longe de um campo de concentração nazista.

Quando estamos próximos da realidade dos fatos, como aqui, podemos ter apenas uma vaga ideia do sofrimento desse povo. Difícil acreditar na capacidade do homem em se superar na arrogância, na loucura, na vaidade.

Uma hora e meia de visita num campo de concentração nazista está bom demais! Auschwitz mexe muito conosco, com nossas emoções, com nossas sensações.

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Mapa de época. Meu Deus, quanta gente! Foto: Adriana Lage

Pagando promessa

No retorno, escolhi passar pelas estradas vicinais e acabei chegando a Kalwaria de novo. Hoje é domingo e a igreja estava lotada. A missa é transmitida por megafones e caixas de som mesmo fora da nave principal.

Mas eu tinha um objetivo: fazer uma promessa. Então entrei na capela da Santa milagrosa e pedi. Agradeci novamente a todas essas experiências e oportunidades, e fui embora. Não quis esperar a missa acabar, seria um caos pra sair dali!

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